terça-feira, dezembro 28, 2010

Onde mora o meu sonho?

Onde mora o meu sonho?

Depois do meu amanhecer caminhado

Entre a cegueira de uma vida citadina

Cansada pelos murmúrios barulhentos do progresso

Sentindo ao longe o canto arrastado de botifarras desconhecidas

Ora frescas leves e vernizadas

Ora doentes negras e cambadas

Onde o veículo de conforto do Homem

Respira e cospe um contágio poluído

Ruge pela pressa que tem no meio de iguais

Agredindo outros com toques por demais

Quando ele mesmo sabe indiferente

Que faz o outro e mais outro esperar

Até atingir o cais que pretende alcançar

Quando nem dá conta do que desponta divinal

Num rasgo de um brilho ardente que ele não sente nem vê chegar.

Mas onde mora o meu sonho?!

Sonho o sonho que agora demora na Era

Por entre verdes prados que vivem de brincadeiras

Junto de graciosas Guardiãs montanhosas

Que fazem conduzir os fios da vida

Colidindo o cansaço ao saciar-lhes a sede

Defronte ao progresso que caminha em contramão

Numa ameaça feroz à humilde ruralidade

Ténue e ingénua aos avanços científicos

Mas onde sempre será rainha

Ao equilíbrio da humanidade.

É aqui onde mora o meu sonho!

Algures nas terras altas

Pela tranquilidade natural e o constante contacto com a natureza

Em fuga à impessoalidade e ao estéril do betão

Por troca dos fumos dos motores

Pelo essencial ar mais límpido

Puro… …Naturalmente…!

Este é o Sonho

Sem fundo na Era

Mas conhece seu Dono

Onde livre ele o espera …!

Miguel Ângelo G. (EFA TIR)

sábado, novembro 21, 2009

Aos marketeers


“(…)-Laços?
- Sim, laços – disse a raposa. – Ora vê: por enquanto, para mim, tu não és senão um rapazinho perfeitamente igual a outros cem mil rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. Por enquanto, para ti, eu não sou senão uma raposa igual a outras cem mil raposas. Mas, se tu me prenderes a ti, passamos a precisar um do outro. Passas a ser único no mundo para mim. E, para ti, eu também passo a ser única no mundo… (…)”
In, O Principezinho, de Antoine de Saint-Exupéry



Olhares feitos de ânsia miravam-me, perscrutadores. Partilha de sorrisos e de experiências e uma empatia garantida. Alguns, efusivos e expressivos, soltavam ideias fluidas, enquanto outros, cautelosos, se camuflavam por detrás de uma timidez aparente. Recordo, apenas, o dia em que as máscaras caíram e todos os que se encontravam naquela sala mostraram os seus verdadeiros eus… risos, lágrimas, sons de vozes, a pureza a inundar cada coração… um momento raro indelével.
Depois as questões, a confusão, o medo, o stress daqueles que lutavam contra o tempo e navegavam no desafio tempestuoso. Por vezes, a raiva, a incompreensão mas um esforço contínuo a povoar cada ser que se debatia, tentando, à força, desbravar o seu ser, encontrando o tão esperado equilíbrio apaziguador.
À minha frente, olhares. À minha frente, vozes. À minha frente, seres.
O amante do desporto que reflectia, curioso da vida, emanando uma doce serenidade; a boneca de porcelana, adoradora de animais, que contagiava tudo e todos com as suas risadas mascaradas de uma leve insegurança; a jovem de olhos de azeitona cuja voz, melíflua e segura, sempre cirandava, expressiva e efusiva, naquela sala apaziguando os outros com um “sossegadito”; a morena, que gostava de mecânica, e que combateu até ao fim, conseguindo encarar o seu público com o olhar; o chefe de cozinha que encantou uma audiência atenta e a incitou a cantar Mafalda Veiga; o antigo militar, cujas experiências marcaram muitos, que não era mais do que um palhaço de Picasso; a jovem, de cabelos como as copas loucas das árvores, que teve de aprender, ao longo deste curso, a controlar a sua expressividade, tornando-se mais madura; o escritor, que por sinal também era DJ, que foi pincelando, em silêncio, a tela da sua vida e do seu trabalho; o tímido vendedor de automóveis que venceu a insegurança e se ergueu, perante as adversidades da vida, produzindo um bom trabalho final, fruto do seu esforço e do seu mérito; a jovem morena, de olhos meigos, que sorria sempre mesmo quando por dentro a tristeza se abatia; o sonhador artista que pululava de ideia em ideia e que conseguiu concretizar um produto final de excelente qualidade; o jovem alto, de cabelos cinzentos, que sempre aderia, de sorriso esboçado no rosto, a todas as sugestões lançadas; a jovem mulher de cabelos dourados que ansiava contar as histórias da sua vida; a fotógrafa sorridente, companheira de outros passos em outros tempos; a jovem mulher, amante da terra, telúrica, tal como Torga, fazendo questão de a dar a conhecer, servindo de guia turística.
E com isto se foram criando laços. Como sempre. Criam-se laços mas as presenças esvanecem-se com o tempo…ficarão sempre os momentos inolvidáveis nas nossas memórias. Obrigada pelos deliciosos momentos de partilha!

Teresa Garcia

sexta-feira, julho 17, 2009

A Tis...




A história inicia-se com olhares curiosos, serenos ainda, por detrás de vários ecrãs, barreiras da comunicação. As temáticas eram lançadas e elevavam-se as vozes, descontroladas e sedentas de intervenção. O temporal abatia-se sobre a sala e um vento de emoções desordenadas varria a ideia do controlo emocional.


Compreensão. Apreensão da tolerância e do auto-controlo. De toda aquela amálgama de universos sobressaía um poeta, um filósofo que sucumbiu às forças da realidade e do ritmo lento e monótono do quotidiano. “O meu coração não é um parque de estacionamento”, uma máxima, uma pegada que jamais as vagas do tempo irão apagar; depois havia um jovem com alma de político, de cuja boca jorravam ideias fundamentadas; um artista que sonhava com a sua ascensão no mundo musical; um curioso de nome invulgar e de uma humildade inocente invejável; duas flores que coloriam um campo essencialmente masculino; tímidos inveterados; os verborreicos descontrolados; um amante do cinema que descobria, aos poucos, o prazer do mergulho no papel recheado de histórias; um criador insatisfeito de música alternativa; um jovem que insistia em baptizar a formadora com um nome de uma sobrinha; um jovem, quase sósia de John Lennon, que escondia a sabedoria por detrás da máscara da insegurança.


Da vontade imparável de falar passou-se à vontade imperiosa de ser. Saíam agora dos casulos construídos ao longo de uma vida e abriam as asas, sôfregos de novos caminhos e de aprendizagens outras.


Teresa Garcia

segunda-feira, julho 13, 2009

Palestra com Júlio Magalhães



Foi uma tarde diferente pois o jornalista Júlio Magalhães é uma pessoa muito especial. A forma como dirigiu a palestra foi uma maneira de nos incentivar a acabar a formação e a não desperdiçar as oportunidades que nos aparecem pela vida fora. Segundo ele próprio diz só tem o 12º ano, pois apesar de ter começado 3 cursos na universidade não acabou nenhum. Citando uma das frases que melhor recordo dessa palestra, Júlio Magalhães referiu “aproveitei todas as oportunidades que me surgiram, não desperdicei nenhuma”, e o factor para o meu sucesso foi “ 60% de sorte e 40% mérito”.

A vida do jornalista foi um desafio e a forma como a relata foi muito interessante, uma vez que tem uma forma de falar muito simples, descrevendo a sua vida toda na primeira pessoa. Identifiquei-me muito com a sua sensibilidade e maneira de pensar.

Falou-nos de todo o Marketing televisivo e tudo o que as televisões fazem para obter audiências, que nem sempre é o ideal mas “é o fruto da sociedade que temos”. Eu pessoalmente não imaginava como é stressante trabalhar numa televisão e apresentar um telejornal, pois como ele mesmo referiu “ um intervalo mal feito na hora errada pode fazer que percam o dia em termos de audiências”. Eu como uma futura técnica de marketing tirei muito proveito de todo o processo de funcionamento da televisão que o jornalista nos fez questão de explicar.

Uma grande paixão do jornalista é o Basquetebol. Começou a jogar aos 13 anos no Futebol Clube do Porto, conhecido como Juca foi Campeão Nacional em 1980/81/82 e segundo uma entrevista que já tinha ouvido com ele o treinador Mário Barros diz “Ele o que faz, faz bem e nunca gostou de perder”. Eu também sempre fui assim! “Coincidência”, porque “visto sempre a camisola” esteja eu onde estiver e dou o meu melhor.

O último livro de Júlio Magalhães, “Os Retornados Um amor nunca se esquece”, é um livro romanceado que começa por falar da vida dele em Sá da Bandeira e do drama da ponte aérea Luanda/Lisboa, nos anos de 1974 e 1975. Júlio Magalhães imaginou uma relação amorosa entre a fictícia hospedeira Joana e um passageiro, o médico Carlos Jorge.

A sua escrita é muito simples e convidativa, foi um livro que comecei a ler e nem dei pelo tempo passar (uma leitura aconselhável). Este livro também se identifica comigo pois tive dois tios que tiveram de regressar nessa altura de Lourenço Marques e as histórias que contavam de lá, o livro narra algumas. Era um país muito evoluído e muito rico e tudo que tinham tiveram de deixar para trás e quando chegaram cá começaram a refazer a sua vida do zero. Não foi nada fácil pois os hábitos eram outros e a integração foi um pouco difícil.

Neste momento já está a escrever outro romance que vai ser lançado no mercado no final do ano. Como ele mesmo diz «Todos escrevemos, quem escreve uma mensagem num telemóvel também pode escrever um livro». Mas não é bem assim, pois um sonho que eu tenho é escrever um livro, pois adoro ler e escrever mas as oportunidades nunca me surgiram. Será que ainda vou ter essa oportunidade? Um dia? Talvez???


Outra das coincidências é que um livro que o jornalista leu e o marcou foi o “Esteiros” de Soeira Pereira Gomes. Aconteceu o mesmo comigo. Foi um livro que já li há muitos anos mas adorei e ficou sempre na minha memória. É uma obra de profunda denúncia da injustiça e da miséria social, que conta a história de um grupo de crianças que desde cedo abandona a escola para trabalhar numa fábrica de tijolos. Passa-se na vila de Alhandra, às margens dos esteiros (são os canais que existem ao longo das margens do rio Tejo). Para quem nunca o leu recomendo.
No final todos ficámos com pena de ter vindo embora pois estava a ser muito especial, pois mais do que uma palestra tornou-se numa agradável conversa entre todos.


Teresa Vasconcelos (formanda Técnica de Marketing, CESAE)

segunda-feira, dezembro 29, 2008

Presépio 2008


Foto:
Jair Ferreira

sábado, dezembro 13, 2008

Quem somos nós?

O que nós pensamos sentimos; o que sentimos vibramos; quando vibramos estamos atrair para nós.
Somos seres vibracionais que interagimos com o universo.
Tudo no universo é energia. A nossa mente tem o poder de fabricar a realidade através dos pensamentos que têm uma força magnética.
Talvez ,se pensarmos bem, podemos inverter os papéis da filosofia da vida. Deus não nos castiga nem atende alguns deixando os outros de fora. O Homem é que passa a ser o responsável pela sua realidade, o universo apenas responde ao que focamos e damos atenção através dos nossos pensamentos e sentimentos, sejam negativos ou positivos. Podemos ser, fazer e ter tudo o quisermos, basta acreditar, e sermos realistas. Para isso basta pensar no que somos nós!
Seremos assim tão importantes?
Haverá vida noutros planetas?
O que é o universo?
O nosso corpo tem células e é escuro, haverá alguma diferença entre o universo e um corpo?
Dentro de nós não poderá haver vida?
Não estaremos a habitar num outro corpo?
Se formos realistas muitos mistérios desaparecerão e virão outros…
Por vezes a explicação está dentro de nós, mas o medo da realidade faz com que tenhamos receio de a aceitar.

O meu objectivo não é que acreditem na minha filosofia, mas sim que tenham a mente aberta.

Pedro Sousa
(Curso EFA Marketing)

quinta-feira, outubro 09, 2008


Alberto Almeida
(Curso EFA Sistemas)





O meu impossível

Minh'alma ardente é uma fogueira acesa,
É um brasido enorme a crepitar!
Ânsia de procurar sem encontrar
A chama onde queimar uma incerteza!
Tudo é vago e incompleto! E o que mais pesa
É nada ser perfeito. É deslumbrar
A noite tormentosa até cegar,
E tudo ser em vão! Deus, que tristeza!...
Aos meus irmãos na dor já disse tudo
E não me compreenderam!... Vão e mudo
Foi tudo o que entendi e o que pressinto...
Mas se eu pudesse a mágoa que em mim chora
Contar, não a chorava como agora,
Irmãos, não a sentia como a sinto!...

(Florbela Espanca)
Alberto Almeida
(Curso EFA Sistemas)

sábado, setembro 20, 2008








"Vertigem da Alma "...

E ali fiquei imóvel perante tanta beleza,

olhando fixamente teu rosto sorridente,

meus braços para ti se estenderam,

abracei-te carinhosamente,

sentindo teu doce e perfumado aroma,

deixei que o mesmo se entranhasse em mim,

e ao teu toque suave,

todo eu estremeci,

foi como se o tempo tivesse parado...

(AAVA)

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Tear Drop LyricsArtist(Band):Massive Attack

Love, love is a verb

Love is a doing word

Feathers on my breath

Gentle impulsion

Shakes me, makes me lighter

Feathers on my breath

Teardrop on the fire

Feathers on my breath

Nine, night after day

Black flowers blossom

Feathers on my breath

Black flowers blossom

Feathers on my breath

Teardrop on the fire

Feathers on my

Water is my eye

Most faithful mirror

Feathers on my breath

Teardrop on the fire

Of a confession

Feathers on my breath

Most faithful mirror

Feathers on my breath

Teardrop on the fire

Feathers on my breath

You're stumbling just a little

You're stumbling just a little..


quarta-feira, novembro 21, 2007

A vós...

Sempre de sorrisos oblíquos esperavam-me, encostados às paredes ocas de criatividade. Rostos sedentos de novidade, rostos reflectindo vida, alegrias, tristezas, cansaços, pequenos mundos escondidos. Mundo Homogéneo o nosso. Mesma idade, mesmas vivências, mesmas referências flutuavam naquele antro de enguias eléctricas. Caminhos idênticos que divergiram. Caminhos que se multiplicaram, depois, em vários trilhos diversos.
A experiência invulgar do caramelo... "Nunca pensei que comer um caramelo fosse tão psicadélico!". Na sala, alguns sons da natureza espezinharam a objectividade e o peso artificial da maquinaria. Da profundidade daquelas almas, daqueles seres com tesouros camuflados, surgiu a poesia. Experiências vividas, ao longo deste tempo, transformaram meras letras e palavras soltas em metáfores minuciosamente reflectidas.
Tal qual girassóis abraçam a beleza da palavra que os fulmina, admiram a poesia de cada frase, mergulham nos mares translúcidos de literaturas outras.
Teresa Garcia

terça-feira, setembro 18, 2007

A volta ao mundo em 360 páginas


A leitura é como se de um Universo paralelo se tratasse.
As viagens que se podem fazer nas asas de um livro são sempre surpreendentes, nunca sabemos o local de partida nem o destino, não há horário de embarque, nem limite máximo de bagagem.
O livro, enquanto meio de transporte, pode ser pequeno como um veículo citadino, do tamanho de um bolso, ou enorme como um boeing 747, cheio de detalhes e de lugares vazios preparados a preencher, mas como já dizia o ditado, “o tamanho não é o mais importante”, mas sim o seu conteúdo.
A livraria, enquanto cais de embarque, é quase sempre o ponto de partida para mais uma aventura, uma agência de viagens por excelência onde podemos sempre consultar os novos roteiros, os packs promocionais e até no caso dos mais indecisos, pedir alguns conselhos.
Começamos por escolher o nosso rumo, e enquanto uns optam pela adrenalina proporcionada pelos destinos de acção e aventura, outros optam pelo constante reacender do romance em paragens mais calmas e quentes. Mas existem para todos os gostos, inclusive os mais alternativos ou requintados.
A partir daí tudo se torna fácil, e quer seja em executiva e com todos os mimos que por exemplo um copo de chianti pode providenciar, ou em low-cost, acompanhado por um pires de tremoços, a sensação que nos atravessa é exactamente a mesma, de liberdade, de comunhão, paz interior, relaxamento, um tai-chi improvisado em páginas de papel que nos transporta para todas as latitudes imagináveis.
Afinal, depois de uma acesa discussão, depois de ponderados os imponderáveis e da mistificação do assunto, o segredo do teletransporte foi descoberto. O livro é o resultado químico dessas buscas, o objecto que nos permite dobrar as barreiras do espaço e do tempo, o tapete voador dos tempos modernos.
A pergunta que se deve fazer é porque contentarmo-nos com o simples caminhar, quando podemos ter asas?
Flávio Trindade (IEM)

segunda-feira, setembro 17, 2007

2+2=5



O Homem está desde sempre à procura de si próprio, buscando incessantemente respostas para todas as suas perguntas.
É por norma bastante difícil de satisfazer, por isso, as respostas têm que vir em forma de verdades absolutas, impossíveis de refutar ou sequer de poder pensar em algo ligeiramente diferente.
O Homem é também desconfiado por natureza, daí ser bastante mais fácil acreditar nessas mesmas verdades absolutas, porque elas acabam por explicar de forma sintética as outras verdades que o Homem há muito procura.
Há quem diga que as verdades absolutas são difíceis de encontrar, ou de formular, mas quero desde já desmentir essa teoria.
Elas estão um pouco por todo o lado, nas nossas escolas e faculdades, nas nossas empresas e partidos políticos e como se isso não bastasse, são visíveis e palpáveis. Com o passar dos tempos ganharam a forma humana, quais mutantes, formaram um grupo restrito e fortemente organizado e agora intitulam-se professores de matemática, ou matemáticos catedráticos, conforme a hierarquia que ocupam dentro do clã.
Os matemáticos são os senhores de todas as verdades absolutas.
São seres absolutamente geniais, inabaláveis no seu púlpito, destilam imparavelmente e sob a forma numérica, dúzias de verdades absolutas por segundo.
Mas como tudo na vida, a genialidade tem um preço, e esse preço a pagar é a incompreensão generalizada. Os seus alunos não os percebem, os seus amigos não os percebem, os seus pais fazem um esforço hercúleo para os tentar perceber (o maior pesadelo de todos os pais é terem gémeos ambos matemáticos), mas pior do que isso os seus pares professores de outras áreas (aquela gentinha com quem os matemáticos têm de socializar e para quem têm de sorrir em todos os intervalos na sala de professores) também não os percebem.
Os matemáticos têm a sua própria linguagem que obedece à sua própria métrica e à sua própria lógica, por isso podem cometer impunemente todo o tipo de atropelos à língua do seu país sem que ninguém ouse pôr isso em causa. Na realidade os matemáticos são tão geniais que possuem a capacidade única de não terem de emitir qualquer tipo de som para se entenderem. O seu alfabeto é tão vasto, que para além das letras que todos nós conhecemos, constam uma variedade interminável de símbolos e hieróglifos que só eles conseguem descodificar. Uma das suas principais mágoas é o facto de terem efectivamente de se dirigir verbalmente aos seus alunos para dizer a única frase que não consta do seu alfabeto simbólico-numérico, ou seja, “ resolva este exercício”. Um dos seus mais proeminentes membros tentou acabar com esse enorme problema utilizando a combinação #111*, mas o centro de apoio a clientes da Optimus já se lembrara dessa pérola do pensamento lógico um pouco antes e como tal a equação persiste.
A dicotomia existente entre os matemáticos e os outros é vincada pelas suas características únicas e inatas.
Assim como os camionistas têm um autocolante gigante no seu camião com a frase “ os camionistas são gajos porreiros” que normalmente acompanha o emblema do Benfica e poster da Samantha Fox, os matemáticos têm por sua vez uma pequena inscrição no vidro traseiro dos seus automóveis, que diz “ Deus é Matemático”, inscrição essa que não pode ocupar mais de um décimo da superfície do vidro, para o restante ser utilizado para processar enquanto conduzem, os cálculos das distancias para os outros veículos.
Para além dessa característica que os define, existem outras, como o programa de televisão que todos adoravam, o 1,2,3 ou o facto de 4 em 5 matemáticos, terem colado na parede dos seus quartos um poster de dimensões apreciáveis do seu grande ídolo e guru, obviamente Pitágoras.
Essa intrigante figura sem paralelo na história da humanidade conseguiu a façanha de conseguir transformar uma dupla de letras aparentemente insignificante “PI” no valor aparentemente exacto de 3 virgula-qualquer-coisa-que-agora-não-me-lembro-porque-não-sou-matemático.
Pitágoras teve uma infância difícil. Os seus pais que trabalhavam de sol a sol dedicavam-lhe pouco amor e atenção, como se pode constatar pelo nome que lhe escolheram, e desde cedo o jovem Pitinho, como lhe chamava Copérnico o seu amigo imaginário, ficou abandonado à própria sorte. Abusado física e psicologicamente na escola, sobrou apenas a enorme paixão que tinha pela rapariga da cantina, não pela rapariga, mas por aquilo que ela lhe arranjava todas as semanas depois do almoço, os recortes do sudoku retirados das suas revistas de celebridades. Assim o jovem Pitágoras começou a exercitar o seu fascinante intelecto.
Chegou à conclusão que só seria respeitado entre os seus pares e entre as massas se fosse o dono de uma verdade absoluta. Trabalhou arduamente para o conseguir até que num belo dia, e tal como Einstein o conseguiria também depois de levar com uma maçã na cabeça, o despertador quase novo de Pitágoras comprado há apenas uma semana nos chineses, deu o ultimo PI já passava das 3 da manhã. Acabado de acordar e apesar de furibundo por ter dado 25€ por um despertador que lhe durou uma semana, Pitágoras logo percebeu que esse momento o haveria de imortalizar e às 3.20 da manhã já era dono da sua verdade absoluta.
35 despertadores depois, Pitágoras acabou por falecer, ainda jovem, mas plenamente realizado, e é ainda hoje o exemplo a seguir por todas as novas gerações de jovens matemáticos.
Eu próprio inspirado no seu exemplo pretendo consagrar também a minha verdade como absoluta, recorrendo a outros acordes diferentes de PI, talvez um FÁ ou um LÁ, com outros valores aparentemente exactos, ficando para isso à espera de um sinal do divino, ou de uma outra entidade qualquer, pode ser igualmente dos chineses, desde de que aquilo que eu compre dure mais que uma semana…
Flávio Trindade

sábado, maio 19, 2007

Praia


Foto: Gonçalo Silva (IGR)

sábado, maio 12, 2007

Se pudesse escolher uma frase, então pediria que ali fosse gravado:
«Ele morreu enquanto estava vivo.»
Podia parecer um contra-senso,
mas conhecia muitas pessoas que já tinham deixado de viver embora continuassem
a trabalhar,a comer, e a ter as suas actividades sociais de sempre.
Faziam tudo de maneira automática,
sem compreender a magia que cada dia traz em si,
sem parar para pensar no milagre da vida,
sem entender que o próximo minuto pode ser o seu último neste planeta.

Hélder Rodrigo Pinto (TIM)

terça-feira, abril 17, 2007

O Titan


Foto: Gonçalo Silva (IGR)

quarta-feira, abril 11, 2007

Impressões IV



Do cimo de uma colina ofusca-me a beleza de duas senhoras, equiparada à magnificência do campo verdejante. Um perfume imenso invade-me os pulmões de tal forma que consigo sentir na língua o sabor a fruta do tal odor. Uns sons angélicos vindos de duas crianças simplesmente puras relaxam-me a alma, tanto que debaixo de mim imagino que esteja o tão aguardado paraíso. Passando a mão pelas papoilas consigo sentir todos os seus belos traços de perfeição e toda a sua inocência perante todo este mundo pecador.
Gonçalo Silva
Henrique Costa
José Diogo Cardoso
Rafael Silva

Impressões III
















O sabor a amargura, o cheiro do fumo poluente do carvão a arder, uma visão de uma máquina, assustadora, resistente, posta à prova durante dias, anos, séculos até aos dias de hoje. Um ambiente de pressão, um ambiente de monotonia, por onde passam centenas e centenas de pessoas diariamente. Uma rotina, um ciclo vicioso, um negócio onde o dinheiro que nos chega às mãos é sujo, imundo.


Hugo Cardoso
João Sardon
Nuno Barros
Tiago Gomes

Impressões II


Depois de termos entrado no comboio em Madrid, passadas 3 horas chegamos a Paris.
A sensação de chegar a uma cidade diferente provocou-nos um sentimento de euforia. As vozes, os barulhos, o aroma perfumado no ar, o cheiro intenso de croissants que quase se conseguia provar pela simples brisa, despertou o apetite após uma longa e cansativa viagem.
O simples descer do comboio tornou-se numa despedida de um amigo. A beleza dos edifícios á volta da estação desviava-nos o olhar que parecia não parar como se de um carrossel se tratasse. Tudo nos pareceu um sonho até ao momento em que nos sentamos num mesa redonda para tomar café. A chávena quente fez-nos lembrar o calor da nossa pátria e o sabor forte despertou-nos para a realidade.


Daniela Barbosa
Júlio Magalhães
Miguel Silva
Pedro Dias

Impressões I


Chego à cidade onde a luz me ilumina mesmo de noite, onde os aromas das pastelarias e dos seus quentes croissants, que quase consigo provar, se parecem misturar com as conversas no chalé da vida alheia..... Relembro o meu campo que me viu nascer, ao cruzar-me com uma recente e fumegante massa que sempre identifiquei como “algo que a natureza deu ao cavalo, e ele fez o favor de lhe devolver”. Senhoras encharcadas pelas chuvas de Dezembro, chuvas que intensificam os odores em nada seus, mas sim importados de Paris, disse-lhes o vendedor da perfumaria…o policia que corre, de apito na boca que é apitado num “Pi” quase pitoresco, corre atrás do miúdo órfão que não mais fez do que roubar uma maçã, porque tinha fome, e não dinheiro...
Humberto Silva (IGR)
Jorge Coelho (IGR)
David Oliveira (IGR)

segunda-feira, março 05, 2007

Tu

Tu
Tu és o vazio que percorre a minha mente
Tu és o vazio que me dá inspiração
Tu és o vazio que me deixa assim
Tu és o vazio que falta em mim

Fazes-me falta todos os dias
Fazes-me falta a toda a hora
Já nada existe na minha mente a não ser tu
Alimento-me da minha ilusão
Do meu mundo imaginário
Só tu e eu…

És como o diamante que nunca poderei ter
És como o sol que nunca poderei alcançar
És como o mar que nunca poderei conquistar
Mas…
És o ar que me dá vida
És a paisagem dos meus olhos
És o sangue que corre nas minhas veias
És a melodia dos meus ouvidos
És a seda das minhas mãos
És o meu coração!

Esquece
Não quero esquecer!
Não tens hipóteses
Não quero saber!

Não preciso de te ter
Não preciso de te ver
Não preciso de te sentir
Preciso que respires
Preciso que vejas
Preciso que sintas
Preciso que existas!

Não consigo arrancar de cá de dentro
Este sentimento torturante
Não porque não queira
Mas porque o coração não deixa
Mas porque a mente não quer…


RonaCris